Sistema de Bibliotecas

Universidade Federal do ABC

Horário de funcionamento: 

De segunda a sexta-feira das 08h às 22h e aos Sábados das 08h às 13h30.

 

Biblioteca Santo André:

Avenida dos Estados, 5001
Bairro Santa Terezinha - Santo André
CEP: 09210-580
Telefone: (11) 4996-7933
E-mail:
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Biblioteca São Bernardo do Campo:

Alameda da Universidade, s/nº
Bairro Anchieta - São Bernardo do Campo
CEP: 09606-045
Telefone: (11) 2320-6200
E-mail:
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Informações gerais sobre o Sistema de Bibliotecas:

Telefone: (11) 4996-7930

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Biblioteca Universitária 

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Palestra no Museu de Santo André

Junho 21, 2017

É amanhã, quinta, 22/06! Palestra do professor Juarez Donizete Ambires sobre “A escrava Isaura” no Museu de Santo André.

 

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Posted in: Divulgação

Na casa da mãe Joana

Junho 20, 2017

As paredes cá têm ouvidos, mas não tem bocabed-1846251__340

Se tivessem, diferença alguma faria

Água e conselho, só se dá a quem pede

Mas cá, nem as paredes se confessam

O que acontece entre as quatro, fica e adormece

Na cama desarrumada, quem desperta não espera

No quarto emudecido, a palavra é prata e o silêncio é ouro

Antes calar que mal falar

Antes fingir, do que revelar.

Antes só do que mal acompanhado.

Antes tarde do que nunca

Já foi, que venha outro

A seu tempo, a seu lugar

A bom entendedor meia palavra basta

As paredes cá têm ouvidos, mas não tem boca

Se tivessem, lembrariam de sussurrar

Fofoca boa, é bem contada

Tainá Roberta


Posted in: Escrita, Tainá Roberta

Junho 14, 2017

The inner part of something; the inside. -the interior has been much restored-. Synonyms- inside, inner part, inner area, depths, recesses, bowels, belly; More antonyms- exterior, outsid


Posted in: Divulgação

Havia um tempo em que não havia o tempo era só dia e noit...

Junho 14, 2017

The inner part of something; the inside. -the interior has been much restored-. Synonyms- inside, inner part, inner area, depths, recesses, bowels, belly; More antonyms- exterior, outsid

Havia um tempo

em que não havia o tempo

era só dia e noite

noite e dia

dia e noite

noite e dia

O escuro se fazia claro

e o sol aparecia

dia e noite

noite e dia

A lua às vezes vinha

outras vezes ela sumia

dia e noite

noite e dia

Minguando a noite

noviando o dia

era crescente

e era cheia

No tempo em que havia tempo

o sol aparecia

Mas um dia eles vieram

não era noite,

era dia

o sol atrás das nuvens brilhava mas ela não via

e mesmo que não houvesse nuvens, ela também não veria

era dia

e ela dormia

E eles chegaram armados

com cavalos, lança e espada

tanques, bomba e granada

carros, fuzis e pistolas

trem, catraca e tarifa

banco, boleto e juros

crachá, ponto e chefia

carreira, esforço e sucesso

amor, casamento e filhos

ordem, justiça e progresso

dinheiro, poder e razão

Inglês fluente, excel, edição de vídeo, ótima redação

teatro, cinema, parque e balada

A cara é de inocente

o olhar é de safada

Eles chegaram

e ela não viu nada

Não tem mais foto

não tem mais match

não tem mais post

não tem mais like, comment ou share

Eles chegaram e ela

dormia

trouxeram ouro, incenso e mirra

e quando abriu os olhos

lá estava ela

pregos atravessando 

as mãos

pregos atravessando 

os pés

o sangue vermelho escorria

enquanto os ponteiros do alto da torre anunciavam

que 

havia 

chegado 

o tempo

Celina


Posted in: Celina, Escrita

Sem título

Junho 13, 2017
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Quatro paredes
Úmidas de chuva
Guardam
O canto
A cama
O coito
A poeira
Eu, alcova solitária
Com um corpo-imagem
Sob o leito-ranhura
Afogada em areia movediça
Alma frouxa
Preguiça
Figura-reflexo-triste
Andarilho de obras
Livros, gastura, frescura
Brinquedos
Carinho
Segredo
Encostos
Eu, o todo, a câmara
Os trajes
As vestes
As roupagens
Espalhadas no mar de tonturas
Eu
A alcova
O secreto
O teto
O quarto
Maristela Rocha

 


Posted in: Escrita, Maristela Rocha

Próximo encontro do Núcleo

Junho 13, 2017

Happy EnglishLanguage Day to thee!


Posted in: Divulgação

Junho 9, 2017

$20.00


Posted in: Divulgação

Esse cômodo sou eu

Junho 9, 2017

[…] Apenas mais um cômodo de uma casa velha qualquer, como uma ilha, rodeada apenas por mulheres…Sozinha nas tardes frias, me pergunto “Qual o meu papel nessa casa?” ou “Por que só as mulheres vem trabalhar aqui comigo?”. Meu amigo fogão diz que é coisa da minha cabeça, mas escuto ele todas as noites reclamando que o gás dele está esgotando e ele está ficando cansado, assim como a pia, que reclama do frio. Toda manhã é lestressante. Toda família senta nas cadeiras, para tomar um bom café da manhã, mas quando as crianças sentam também…iiiih, a mesa fica até com medo. Café, leite, achocolatado, manteiga, talheres e objetos em cima da coitadinha. O pior é quando ela fica careca, sim careca…A mamãe tira a toalha da cabeça dela todos os dias, ela fica carequinha…depois disso, volta tudo de novo a nossa rotina, com o fogão sem gás, a pia com frio, a mesa careca e eu aqui, apenas observando tudo esperando o próximo a entrar.

 

Matheus Eduardo


Posted in: Escrita, Matheus Eduardo

O Intervalo

Junho 9, 2017

Aurora procurou muito por um apartamento sem corredor

Ganhava-se espaço, ela dizia.

Onde não estou, o descanso é longo.

Cansada de ser passante na vida, queria ficar.

Na estação, dezenas de pessoas passam por mim e por ela

E não sabemos de onde vêm e nem pra onde vão.

O fato é que São Paulo é um grande corredor, ninguém se demora.

Deixe a esquerda livre pra quem tem pressa

e logo na direita não restará nenhum.

A metrópole exige do corpo um tempo que ele não suporta

Aurora está cansada e não tem onde se sentar, de pé, no corredor da estação.

As pessoas cruzam com ela e quebram o pescoço pra olhar

O corredor não é lugar de escrever.

Aqui é lugar de passagem, não de encontro.

Embora acidentalmente eles aconteçam, algumas vezes.

A verdade é que as pessoas me desprezam

Elas sequer olham pra mim

Porque se olhassem não teriam o que ver

Aqui não tem nada

Aqui tem nada.

Ninguém fala sobre mim,

Eu sou insignificante

Nada importante acontece aqui:

Aqui não se come,

Não se dorme,

Não se caga, nem se mija,

Não se transa

E nem se chora

O corredor não é urgente, não é indispensável

Está lá pro fim da pirâmide de Maslow

É a conclusão a que as pessoas chegariam se pensassem a meu respeito

Mas pensar requer demora e elas só estão passando.

Vão deixando suas pegadas lamacentas sobre mim,

Cocô de cachorro e todo tipo de imundícies

Células mortas de peles pútridas

Partículas de saliva e suor

Crianças correndo espalham terra e tinta

Vermelho

No hospital derramam-me sangue,

Se desintegram e nem sabem

Eu sou intervalo entre dois vazios.

Eu não preciso das pessoas,

As pessoas me desprezam, mas são elas que precisam de mim.

Ou me desprezam porque precisam de mim.

Enquanto isso estou rindo de sua modicidade,

Eu sou a vida.

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fonte: Pixabay

Posted in: Escrita, Mara Aline

Memórias de um menino de rua

Junho 7, 2017

( uma estrela no porão de velharias)

-Ela parece estar doente

-O tumulto vai começar outra vez!

Sempre ao cair do Sol, no declinar do dia, perto da hora sexta

momento propício à Ave-Maria, escutávamos o choro subindo

vindo do calabouço: súplicas, lágrimas e sussurros

todos mesclados a cânticos de aflição extrema

…Angústias e lamentos de uma mãe desamparada que enfraquecida sofria.

Meados dos anos setenta.

Quando menino, eu tinha muito medo da velhice.

-De onde vem todo esse barulho?

-De uma mulher velha que fica no subsolo de uma mansão escarlate!

No centro de São Bernardo onde a Jurubatuba quase encontrava a Brigadeiro das antigas aristocracias, era por lá que passávamos todos os dias nos finais de tarde quando voltávamos da escola e nos encontrávamos com essa mulher compenetrada em sua reza, suplicando…

-A voz já está falha e rouca de tanto gritar!

Aqueles dedos finos e enrugados fixos no rosário de prata branco-brilhante nunca me saíram da memória e mesmo atormentado pela vizinhança e permeada por todo tipo de objetos e bugigangas gastas pelo uso continuava decidida, rezando firme, esquecida sentada em sua cadeira de balanço abandonada entre o soalho e o chão…

A agonia podia ser vista de camarote…

Por ser a rua um pouco mais alta em relação ao pavimento da casa nos era possível enxergar um espaço considerável do mais baixo de todos os cômodos, que parecia mais um depósito de entulhos onde foram despojados sem nenhuma compaixão toda sorte de coisas imprestáveis.

Estela não enxergava direito, mas conhecia bem todos seus companheiros

de cárcere:

Uma barata, duas caixas de papelão lacradas, uma vassoura e um rodo com a parte de baixo soltas, garrafas quebradas, uma cadeira faltando uma perna, um baú com roupas velhas, outra barata, um álbum de fotografias amarelado pelo tempo, uma televisão que não funcionava, um rato, alguns baldes de plástico e perto da parede do fundo; restos de tijolos, argamassa e materiais inúteis resultantes de demolição.

…E uma terceira barata, Abigail Fontes Gouveia, amiga íntima de Estela que nunca a deixava só e a colocava informada do dia-a-dia do porão e das novidades e maldades do mundo externo. Loucura?

Não! Estela nunca foi louca, mas circunstâncias da vida levaram-na a escolher melhor suas amizades, ela nunca quis estar naquela situação, por isso, todo final de tarde orava e cantava suplicando a Deus pela morte!

-Ah, reminiscências!

Depois disso muito tempo passou, eu me mudei para outro bairro e deixei de ter contato com Estela, deixei também de ser um menino, virei homem.

…Hoje fiquei sabendo que Estela já não reza mais, saiu do porão e agora está acima do sótão descansando no céu, mas mesmo sendo homem adulto e saudável eu ainda continuo tendo muito medo da velhice.

Neto Aaron França.

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Rua Jurubatuba com Alameda Glória ao fundo, em foto registrada nos anos 60.